Blog

Por que o peso da estrutura importa na construção de um cemitério?

Quando se pensa na construção de um cemitério, é comum que a atenção esteja voltada para aquilo que será percebido depois que a obra estiver pronta: a arquitetura, a fachada, os espaços de circulação, a organização das unidades e a experiência das famílias. Existe, porém, uma parte fundamental que permanece praticamente invisível depois da conclusão da obra: a estrutura que sustenta todo o empreendimento.

No caso dos cemitérios, essa estrutura ganha uma importância ainda maior porque estamos falando de empreendimentos que podem reunir milhares de unidades em uma mesma edificação. O peso de cada uma delas, portanto, deixa de ser apenas uma característica técnica do produto e passa a influenciar uma série de decisões relacionadas ao projeto, à fundação, à construção e até às possibilidades de utilização do espaço.

Foi justamente a partir dessa realidade que surgiu um dos principais pontos de desenvolvimento da tecnologia da Paso Al Cielo.

O concreto e os desafios de uma estrutura pesada

O concreto é um dos materiais mais tradicionais da construção civil e está presente em grande parte dos cemitérios construídos pelo modelo convencional. Quando as unidades são produzidas em concreto, porém, é necessário considerar o peso que será incorporado à estrutura do empreendimento.

Como referência, uma unidade de lóculo de concreto pode chegar a aproximadamente 400 quilos, considerando os diferentes elementos que fazem parte de sua composição e implantação. Quando se multiplica esse peso por milhares de unidades, a dimensão do impacto estrutural se torna bastante significativa.

Em um empreendimento com 2 mil, 3 mil ou mais de 4 mil unidades, por exemplo, estamos falando de uma quantidade muito grande de material e, consequentemente, de uma carga que precisa ser considerada desde o início do projeto. A fundação, os elementos estruturais e toda a edificação precisam ser dimensionados de acordo com essa realidade.

Isso pode resultar em uma obra estruturalmente mais robusta e em uma fundação compatível com as cargas previstas. É uma consequência natural de se trabalhar com uma estrutura mais pesada e algo que precisa ser considerado desde as primeiras etapas de um projeto cemiterial.

Foi justamente aí que começou a busca por outra solução

A Paso Al Cielo surgiu dentro do Memorial Vera Cruz, em Passo Fundo/RS, a partir da experiência prática de quem precisava construir e ampliar um cemitério utilizando o modelo tradicional.

O Memorial foi inicialmente planejado para utilizar estruturas de concreto, e a experiência mostrou que havia desafios que iam além do custo do próprio material. Era necessário lidar com grandes volumes de concreto, fundações robustas e toda a complexidade de executar novas áreas enquanto o cemitério já estava funcionando.

Esse último ponto fazia uma diferença enorme na rotina. Enquanto uma obra convencional pode ser executada em um terreno vazio, a expansão de um cemitério precisa conviver com velórios, visitas, circulação de famílias e a operação normal do empreendimento. A presença de betoneiras, pedreiros, movimentação de materiais, barulho e resíduos acabava interferindo diretamente no cotidiano do local.

Foi diante dessa realidade que começou a busca por uma alternativa que não dependesse da mesma lógica construtiva.

Uma estrutura significativamente mais leve

Depois de anos de pesquisa, testes de materiais e desenvolvimento de protótipos, chegou-se a um sistema com uma característica importante: uma unidade de lóculo da tecnologia da Paso Al Cielo possui, em média, cerca de 70 quilos.

Quando comparamos esse número com uma unidade de concreto de aproximadamente 400 quilos, a diferença é expressiva. E ela se torna ainda mais relevante quando pensamos em um empreendimento com milhares de unidades.

Essa redução de peso não representa apenas uma mudança no produto que compõe o cemitério. Ela pode repercutir em toda a solução estrutural, porque a edificação passa a lidar com uma carga significativamente menor.

Em um projeto de grande escala, essa diferença pode representar uma redução importante na carga que precisa ser considerada pela estrutura e pela fundação. Naturalmente, cada empreendimento precisa ser analisado individualmente por profissionais habilitados, levando em conta as características do terreno, da edificação e das cargas previstas. O que a tecnologia permite é partir de uma condição estrutural diferente.

O que muda quando a estrutura pesa menos?

A relação entre o peso das unidades para sepultamento e a fundação é um dos aspectos mais importantes dessa discussão.

Quanto maior a carga que uma edificação precisa suportar, maiores são as exigências que podem existir sobre seus elementos estruturais e suas fundações. Ao trabalhar com um sistema significativamente mais leve, abre-se a possibilidade de utilizar soluções estruturais mais racionalizadas, sempre de acordo com as características de cada projeto.

Isso pode ter impacto direto na complexidade e nos custos envolvidos na implantação de um empreendimento.

Não significa que uma fundação deixe de ser necessária ou que exista uma solução única para todos os terrenos. A fundação continua sendo uma parte essencial de qualquer construção e precisa ser dimensionada de acordo com as condições específicas de cada local.

A diferença está no fato de que um método construtivo mais leve pode mudar as cargas envolvidas e, consequentemente, as alternativas que o projeto estrutural pode considerar.

A possibilidade de aproveitar estruturas que já existem

Essa característica também pode ampliar as possibilidades de utilização de determinadas edificações existentes.

Já houve situações em que clientes adquiriram galpões ou estruturas pré-moldadas originalmente projetadas para outras finalidades e conseguiram adaptá-las para receber um empreendimento cemiterial utilizando a tecnologia da Paso Al Cielo.

Isso só é possível quando a estrutura existente apresenta condições adequadas para a nova utilização, algo que precisa ser verificado por meio de uma avaliação técnica. Não se trata, portanto, de afirmar que qualquer prédio pode ser transformado em cemitério.

O ponto é que uma estrutura cemiterial mais leve pode oferecer possibilidades de adaptação que seriam muito mais difíceis quando o projeto precisa suportar uma quantidade muito maior de carga. Em determinadas situações, isso permite olhar para edificações existentes de uma maneira diferente e avaliar alternativas que talvez não fossem consideradas em um sistema convencional de concreto.

A tecnologia também interfere na forma de construir

O peso é apenas uma parte dessa história. A própria maneira de executar a obra também pode mudar quando se utiliza uma solução desenvolvida especificamente para o setor.

No caso do concreto, a construção de novas áreas envolve uma série de etapas realizadas diretamente no local, com produção e movimentação de materiais, execução de estruturas e fundações e presença de equipes trabalhando durante o período da obra.

Em um cemitério que ainda não está em funcionamento, essa dinâmica pode ser administrada dentro da rotina convencional de uma obra. Mas quando a expansão acontece em um empreendimento que já recebe famílias, e ainda famílias que estão num momento tão fragilizado, cada etapa precisa ser planejada com muito mais cuidado.

A experiência da Paso Al Cielo no Memorial Veracruz mostrou isso na prática. O desenvolvimento da tecnologia também foi uma resposta a essa necessidade de encontrar uma maneira mais adequada de construir novas áreas sem reproduzir todos os desafios enfrentados anteriormente.

Uma tecnologia desenvolvida a partir da experiência real

Talvez esse seja um dos aspectos mais importantes para compreender a história da Paso Al Cielo.

A tecnologia não nasceu em um laboratório distante da realidade dos cemitérios. Ela nasceu dentro de um empreendimento que precisava resolver problemas concretos de construção e operação.

A partir de 2010, começou a busca por uma nova solução. Foram testados diferentes materiais e desenvolvidos protótipos até chegar ao modelo que serviu de base para a tecnologia atual. Como se trata de um sistema composto por diferentes elementos e materiais, o desenvolvimento envolveu também questões relacionadas ao funcionamento do lóculo, dos filtros, da vedação e de outros aspectos próprios da atividade cemiterial.

Os primeiros testes com animais fizeram parte desse processo de desenvolvimento e, em 2017, foram realizados os primeiros sepultamentos humanos utilizando a tecnologia Paso Al Cielo.

A partir daí, o sistema continuou sendo aprimorado com base na experiência cotidiana do próprio Memorial Vera Cruz. Isso permitiu identificar aspectos que dificilmente seriam percebidos apenas durante o desenvolvimento teórico, como melhorias relacionadas ao manuseio dos lóculos e das cápsulas e à operação diária.

É uma característica importante de uma tecnologia que nasceu dentro de um cemitério: o produto pode ser observado não apenas no momento da instalação, mas também ao longo de sua utilização.

O desenvolvimento continua depois que a tecnologia chega ao mercado

A Paso Al Cielo começou a disponibilizar sua tecnologia para outras empresas alguns anos depois, quando outros empreendedores passaram a demonstrar interesse pela solução utilizada no Memorial Vera Cruz.

Até então, o foco estava principalmente em resolver uma necessidade própria. A partir dos pedidos que começaram a surgir, percebeu-se que aquele desenvolvimento poderia também responder a problemas enfrentados por outros cemitérios.

Isso criou uma trajetória um pouco diferente da tradicional. Em vez de desenvolver um produto para depois procurar uma aplicação, a tecnologia foi aplicada primeiro em um cemitério próprio e, somente depois de anos de utilização e aperfeiçoamento, passou a ser oferecida ao mercado.

Essa experiência continua sendo importante porque permite que a empresa conheça não apenas a instalação da tecnologia, mas também sua utilização ao longo do tempo.

Mais do que um lóculo, uma solução para o empreendimento

Por isso, quando falamos sobre o peso de uma unidade do jazigo, não estamos falando apenas de uma característica isolada do produto.

O peso influencia a estrutura. A estrutura influencia a fundação. A fundação interfere na implantação. E todas essas decisões podem ter impacto na maneira como um empreendimento é planejado, construído e expandido.

É justamente essa visão integrada que diferencia uma tecnologia desenvolvida especificamente para cemitérios de uma solução simplesmente adaptada de outro segmento.

A Paso Al Cielo trabalha para que a tecnologia faça sentido dentro de todo esse contexto, considerando as particularidades de um empreendimento cemiterial e os desafios que aparecem tanto na construção quanto na operação.

Inovação com um propósito claro

A proposta da tecnologia da Paso Al Cielo não é substituir um material simplesmente porque ele é tradicional ou apresentar uma única maneira correta de construir.

O concreto continua tendo inúmeras aplicações na construção civil e pode ser a solução adequada para diferentes projetos. A inovação está em ampliar as possibilidades e apresentar uma alternativa desenvolvida especificamente para as necessidades do setor cemiterial.

Quando uma solução consegue reduzir significativamente o peso das unidades, isso pode abrir novas possibilidades para o projeto estrutural, para a fundação, para a adaptação de determinadas edificações e para a própria forma de executar uma obra.

E é justamente esse o papel da tecnologia: não inovar por inovar, mas encontrar maneiras mais eficientes de resolver problemas reais.

No caso da Paso Al Cielo, essa busca começou dentro de um cemitério, a partir de dificuldades enfrentadas na prática. Foram anos de desenvolvimento, testes e utilização até que a solução estivesse pronta para ser compartilhada com outros empreendimentos.

É essa experiência que está por trás da tecnologia da empresa e que permite falar de inovação cemiterial não apenas como uma ideia, mas como algo que já faz parte da realidade de um cemitério em funcionamento.

Veja mais conteúdos